Existem várias definições e "modelos" de desenvolvimento. Um dos modelos mais populares, o de "desenvolvimento sustentável", é típico das correntes contemporâneas e foi formulado pela primeira vez em 1987 no Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: "Trata-se do modelo de desenvolvimento que satisfaz as necessidades actuais das pessoas sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem também as suas."
No entanto, os modelos de desenvolvimento adoptados até ao momento, não se revelaram capazes de gerar o bem-estar da comunidade global. Diversos grupos têm sido e continuam a ser persistentemente excluídos dos benefícios do desenvolvimento: os indígenas, os afro-descendentes, as mulheres, os idosos, as pessoas com deficiência, as minorias étnicas, religiosas e sexuais, todos os grupos que comummente reconhecemos em "situação de vulnerabilidade".
A abordagem do "desenvolvimento inclusivo" procura superar a escala pontual e compartimentada com a qual se abordam os vários sectores e actores sociais, potenciar o que há de comum entre eles e capitalizar o que os pode fortalecer mutuamente. Entendemos por "Desenvolvimento Inclusivo" o desenho e implementação de acções e políticas para o desenvolvimento socioeconómico e humano que procurem a igualdade de oportunidades e direitos para todas as pessoas, independentemente do seu status social, sexo, idade, condição física ou mental, a sua raça, religião, opção sexual, etc., sempre em equilíbrio com o seu meio ambiente.
O Desenvolvimento Inclusivo procura aproveitar e potenciar a ampliação dos direitos e capacidades das pessoas em todas as suas dimensões (económica, social, política, cultural) e na sua diversidade e especificidade; baseia-se na procura e garantia do acesso universal, da igualdade de oportunidades, da equidade e da justiça. Valoriza assim o contributo de cada ser humano para o processo de desenvolvimento e cria as condições necessárias para que ele possa ocorrer. A abordagem do desenvolvimento inclusivo promove a diferença, aprecia a diversidade e transforma-a numa vantagem, uma oportunidade, um direito.
O sector da deficiência, por defender entre os seus princípios básicos a diversidade, a inclusão, a igualdade de oportunidades, a autonomia pessoal, a solidariedade, aborda de uma forma sustentada a possibilidade do aparecimento de um modelo de desenvolvimento inclusivo. Trata-se de uma abordagem que se pode aplicar para remediar a própria condição de exclusão das pessoas com deficiência, reconhecendo, no entanto, que esta não se modificará se a qualidade de vida da população em geral também não mudar.
"Em todos estes anos de luta permanente, temos desenhado e rejeitado estratégias, temos avançado e temos parado, mas temos sobretudo pensado e construído o nosso contributo para o processo de desenvolvimento humano. Na nossa procura por uma sociedade mais justa e inclusiva para as pessoas com deficiência descobrimos caminhos para a tornar mais justa e inclusiva para todas as pessoas. É sobre estes novos caminhos que vos quero falar hoje. De como podemos nós como "comunidade da deficiência" contribuir para construir uma sociedade inclusiva para a nossa comunidade mas também para toda a sociedade."